A Groenlândia voltou ao centro da disputa geopolítica. Ao reafirmar que a ilha é uma prioridade de segurança nacional e ao afirmar que não descarta o uso da força, Donald Trump elevou a pressão sobre a Dinamarca (que detém a soberania sobre a Groenlândia) e levou aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a tratar o tema como uma crise concreta — não apenas diplomática. FRONTEIRA DE PODER A insistência de Washington em enquadrar a Groenlândia como ativo estratégico dos EUA reabriu uma fratura sensível na Otan. O governo americano sustenta que o controle da ilha é vital para a segurança continental, citando minerais críticos, bases militares existentes e novas rotas marítimas abertas pelo degelo. A reação europeia foi imediata. A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen afirmou que qualquer ação contra a Groenlândia representaria o colapso do pacto atlântico (a Dinamarca é um dos membros fundadores da Otan). Reino Unido, França e Alemanha emitiram um raro comunicado conjunto reafirmando que o território pertence ao povo groenlandês. Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, questionou publicamente "que direito a Dinamarca tem" sobre a ilha — uma formulação que levou a disputa do plano estratégico para o campo político aberto. O PRECEDENTE CARACAS A escalada no Ártico não surge no vácuo. Ela se apoia no precedente estabelecido em 3 de janeiro, com a captura de Nicolás Maduro em Caracas. A operação, batizada de Resolução Absoluta, envolveu mais de 150 aeronaves, forças de elite como a Delta Force e deixou entre 67 e 80 mortos. O dado mais sensível veio depois: 32 dos mortos eram militares e agentes cubanos, incluindo dois coronéis que integravam o anel mais próximo de segurança de Maduro — uma exposição inédita da aliança Caracas-Havana. DELCY E CABELLO Com Maduro fora de cena, Delcy Rodríguez assumiu interinamente sob tolerância direta de Washington. A escolha não foi ideológica, mas funcional: Delcy é vista como capaz de manter a máquina estatal operando sem a presença de tropas americanas no solo. O fator de instabilidade atende por nome e sobrenome: Diosdado Cabello. Controlador dos colectivos (milícias armadas pró-governo que patrulham as ruas) e de setores armados do regime, ele foi colocado no topo da lista de alvos americanos. Mensagens enviadas por intermediários são inequívocas: ou coopera, ou será o próximo a ser levado a Nova York. Veja reportagem da agência Reuters. O PETRÓLEO COMO MOEDA Trump anunciou que o governo interino da Venezuela entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA para venda a preço de mercado, com os recursos sob controle direto da Casa Branca. Especialistas alertam que a reconstrução da infraestrutura petrolífera levará décadas e bilhões de dólares. Trump, porém, exige resultados em 18 meses — um descompasso que amplia o risco de colapso econômico e instabilidade social. Ouro na Suíça: a Venezuela enviou 113 toneladas de ouro à Suíça entre 2013 e 2016, em operações estimadas em US$ 5,2 bilhões, usadas para sustentar a economia antes do endurecimento das sanções internacionais, informa a agência Reuters. MADURO EM NOVA YORK: "PRISIONEIRO DE GUERRA" Diante da Justiça americana, Maduro adotou uma estratégia frontal. Interrompeu o juiz Alvin Hellerstein para declarar-se "prisioneiro de guerra" e vítima de sequestro. Para sustentar o argumento, montou um time de peso: Bruce Fein, veterano constitucionalista do governo Reagan; -
Barry Pollack, conhecido por garantir a libertação de Julian Assange.
Fein já publicou o texto-manifesto da defesa: "A Venezuela será o Waterloo de Trump." O DECRETO DO MEDO: REPRESSÃO DIGITAL Em Caracas, a repressão ganhou contornos digitais. Um decreto de emergência de 90 dias criminaliza qualquer apoio à incursão americana. Relatos indicam que colectivos abordam cidadãos para revistar mensagens de WhatsApp e redes sociais. Pelo menos 14 jornalistas foram detidos desde a operação militar dos EUA no sábado. NA COLÔMBIA Gustavo Petro reagiu às ameaças americanas com mobilização popular e discurso de soberania. Após ser chamado por Trump de "homem enfermo" supostamente ligado ao narcotráfico, Petro respondeu classificando o americano como dono de um "cérebro senil". Diante da insinuação de uma possível operação militar em solo colombiano, o presidente afirmou que estaria disposto a "pegar em armas novamente" para defender o país e convocou manifestações na Praça de Bolívar, em Bogotá, em defesa da "soberania social". No plano diplomático, a chancelaria colombiana apresentou uma nota verbal de protesto a Washington e acionou reuniões de emergência na Organização das Nações Unidas e na Organização dos Estados Americanos para denunciar o que classificou como postura agressiva dos Estados Unidos. PELO MUNDO Gaza: o governo israelense determinou que a Médicos Sem Fronteiras encerre suas operações em Gaza até fevereiro, acusando a organização de "má conduta grave" e de divulgar críticas consideradas prejudiciais às ações militares israelenses. A MSF rejeitou as acusações e afirmou que a decisão agrava o colapso humanitário no território. Veja reportagem do The New York Times. Ucrânia: França e Reino Unido acertaram um pacto para presença militar europeia no país após um eventual cessar-fogo. No 10º dia de manifestações contra a inflação, forças de segurança iranianas dispararam gás lacrimogêneo para dispersar protestos e gritos de liberdade no Grande Bazar de Teerã. O cenário de violência e prisões em massa levou Donald Trump a ameaçar o regime com ataques severos caso a repressão letal contra os manifestantes prossiga Influenciadores são condenados por difamar a primeira-dama francesa Brigitte Macron. Capitólio: a Casa Branca lançou site que classifica o 6 de janeiro de 2021 como "protesto pacífico".
CHINA, TAIWAN E O "NOVO NORMAL" Na China, a captura militar de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, em Caracas, passou a ser discutida como precedente estratégico. Na rede social Weibo, a operação dos EUA superou 650 milhões de visualizações, com usuários debatendo se a ação indica que intervenções diretas contra líderes estrangeiros voltaram a ser politicamente viáveis. Analistas alertam que essa leitura pode influenciar cálculos em disputas sensíveis, como Taiwan. Veja reportagem da CNN. TECNOLOGIA O Google retomou protagonismo em IA com o Gemini 3 e a ferramenta de imagem Nano Banana, hoje líder de downloads, conta o The Wall Street Journal. Elon Musk enfrenta investigações europeias: o Grok, da rede X, é acusado de gerar deepfakes pornográficos não consensuais, inclusive de menores. Reportagem do The Guardian. |
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