As small caps voltaram ao radar dos investidores no início de setembro, acompanhando o movimento positivo da Bolsa brasileira. Após o Ibovespa retomar o patamar dos 185 mil pontos, impulsionado por sinais de desaceleração da inflação e pela expectativa de uma disputa eleitoral mais equilibrada em outubro, o índice SMLL passou a mostrar recuperação. Depois de recuar 1,26% em agosto, o índice das empresas de menor capitalização já acumula alta superior a 4% neste mês.
O cenário também reflete uma melhora nas perspectivas para os juros. A curva passou a precificar a continuidade do ciclo de cortes da Selic, atualmente em 14% ao ano, reforçando as apostas de uma nova redução da taxa básica ainda em setembro. Nesse ambiente, as small caps ganham destaque por serem mais sensíveis ao custo do crédito e ao crescimento da atividade doméstica. Hoje, o SMLL opera com desconto de 5,1% em relação à sua média móvel de seis meses, o maior entre os principais segmentos da Bolsa.
Diante desse cenário, as instituições consultadas pelo InfoMoney fizeram ajustes em suas carteiras recomendadas para setembro e aumentaram a exposição a empresas ligadas ao ciclo econômico doméstico. A mudança mais visível ocorreu no setor de construção de baixa renda. A Tenda (TEND3), que não figurava entre as ações mais recomendadas nos últimos três meses, saltou para a segunda posição do ranking, com quatro indicações. Na direção oposta, a Marcopolo, líder da lista em julho, ficou sem nenhuma recomendação neste mês.
A liderança do ranking ficou com a Orizon (ORVR3), presente em cinco das oito carteiras analisadas. A companhia de gestão de resíduos vem ganhando espaço após a incorporação da Vital, criando a maior empresa do setor na América Latina. Também aparecem entre as ações mais recomendadas a Tenda e a 3tentos (TTEN3), com quatro indicações cada. Bemobi (BMOB3), OceanPact (OPCT3) e Smart Fit (SMFT3) completam a lista, com três recomendações cada.
Segundo as casas de análise, essas empresas combinam potencial de crescimento dos resultados, valuations considerados atrativos e exposição a setores que podem se beneficiar de um ambiente de juros mais baixos. A avaliação predominante é que, se o cenário de inflação comportada e afrouxamento monetário continuar se consolidando, as small caps podem ter espaço para reduzir o desconto em relação ao restante do mercado e ampliar os ganhos observados no início de setembro.
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