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Quarta-feira, 1 de julho de 2026

Como e o que comprar na Bolsa após o Ibovespa perder para o CDI no 1º semestre

As ações brasileiras viveram um primeiro semestre de fortes oscilações em 2026. O Ibovespa chegou a avançar 23,7% até 14 de abril, mas perdeu força e encerrou junho com alta de 6,7%, abaixo dos 6,9% do CDI. Para o restante do ano, o tom entre analistas é de seletividade. “Não acreditamos em uma alta generalizada da Bolsa, mas sim em um ambiente onde empresas de qualidade deverão se destacar”, resume Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

Ainda assim, bancos e corretoras veem espaço para valorização da Bolsa. O Goldman Sachs avalia as ações brasileiras como baratas em relação aos juros de longo prazo e afirma que “qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia tende a favorecer as ações domésticas mais sensíveis aos juros”. Já a XP Investimentos projeta o Ibovespa em 200 mil pontos, com potencial de alta de 16,2%, apostando também em uma possível nova onda de entrada de capital estrangeiro.

Nas carteiras recomendadas, os setores defensivos aparecem como principal consenso para o segundo semestre. Bancos, energia elétrica, saneamento, telecomunicações e seguradoras são vistos como mais preparados para enfrentar juros altos e ruído eleitoral. “A gente vê oportunidade em setor defensivo, com empresa madura, que gera caixa de forma consistente e paga bom dividendo”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. No Andbank, a leitura é parecida: “As principais oportunidades seguem em energia elétrica, saneamento e bancos”, afirma Fernando Bresciani.

Entre os nomes mais citados, Itaú, Vale, Embraer e Petrobras lideram as recomendações de bancos e corretoras acompanhadas pelo InfoMoney. A Embraer é um dos poucos papéis repetidos entre várias casas: para Bresciani, a companhia está “muito descontada na Bolsa” e pode ganhar impulso com novas encomendas. Na Terra, Chinchila destaca a Vale por “valuation descontado” e “elevada geração de caixa”, enquanto Lucas Sigu, da Ciano Investimentos, aposta em empresas alavancadas, mas saudáveis financeiramente, se a Selic continuar caindo: “são aquelas que têm um endividamento saudável”.

Do lado do que evitar, há consenso em torno de setores mais dependentes de crédito, como varejo e construção civil. “Recomendamos cautela com varejo e com setores mais sensíveis a crédito e endividamento das famílias”, afirma Perri. Para os especialistas, o que vai diferenciar uma carteira vencedora no segundo semestre será a combinação entre seleção de ativos, diversificação e disciplina. “O investidor tem que estar preparado para oscilação”, diz Sigu. Na mesma linha, Perri resume: “o que separa uma carteira bem-sucedida de uma frustrada é diversificação, boa gestão de risco e uma posição eficiente nos papéis e setores vencedores”.

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