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Terça-feira, 30 de junho de 2026

Após um semestre de altos e baixos, o que esperar do Ibovespa até o fim de 2026?

Depois de seis meses marcados por fortes oscilações, com a Bolsa brasileira alternando momentos de euforia e frustração ao sabor do fluxo estrangeiro, a pergunta que começa a dominar o mercado é: o rali do Ibovespa ainda pode continuar até o fim de 2026 ou os riscos já ficaram grandes demais?

A resposta, por enquanto, está longe de ser consensual. De um lado, casas como XP e Morgan Stanley ainda veem espaço para valorização da Bolsa brasileira, apoiadas na possibilidade de queda dos juros, reprecificação dos ativos domésticos e no fato de que muitas ações locais ainda negociam em patamares deprimidos. De outro, bancos como UBS e Bank of America passaram a adotar uma postura mais cautelosa diante da combinação de juros altos, incerteza fiscal e eleição no radar.

Um dos principais vetores para a Bolsa continua sendo o investidor estrangeiro. Depois de entradas fortes no primeiro trimestre, os recursos voltaram a sair do Brasil no segundo trimestre, segundo o Morgan Stanley. Ainda assim, o banco mantém recomendação "overweight" para o país e argumenta que o mercado brasileiro ainda embute um cenário bastante pessimista, o que pode abrir espaço para ganhos se houver melhora no ambiente macro.

No cenário externo, o foco deve recair cada vez mais sobre os juros dos Estados Unidos. Para estrategistas, mais importante do que o ruído geopolítico ou mesmo o avanço da inteligência artificial é o comportamento dos rendimentos dos Treasuries. Se os juros longos seguirem elevados, o fluxo para emergentes pode continuar pressionado. Ao mesmo tempo, decisões do Federal Reserve e da Selic tendem a ganhar protagonismo na segunda metade do ano.

No campo doméstico, os dois temas centrais seguem sendo fiscal e eleição. O mercado continua cobrando sinais concretos de controle da dívida pública, enquanto a aproximação do pleito de 2026 deve adicionar volatilidade aos ativos. Nesse ambiente, a avaliação predominante é que o investidor precisará ser mais seletivo: menos aposta no índice cheio e mais foco em empresas resilientes, com caixa forte, receitas previsíveis e menor dependência do ciclo econômico.

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