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Segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bitcoin foi o pior investimento do semestre: é a última chance de sair?

O Bitcoin encerra o primeiro semestre como o ativo de pior desempenho entre os principais acompanhados pelo investidor brasileiro, em uma virada brusca depois das máximas históricas registradas no ano passado. 

A queda não foi causada por um único evento, mas por uma mudança de pano de fundo que afetou em cheio os ativos de risco: juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos, saída de recursos dos ETFs de cripto e um abalo importante em uma das narrativas mais emblemáticas do mercado, a da Strategy, de Michael Saylor.

Para Markus Thielen, fundador da 10x Research, a explicação central está menos no universo cripto e mais na política monetária americana. “A queda do Bitcoin não é uma história da MicroStrategy; é uma história do Fed”, resume. 

Na leitura dele, a chegada de Kevin Warsh ao comando do banco central americano desencadeou uma reprecificação ampla do ambiente de liquidez, reduzindo o apetite por ativos que dependem de dinheiro farto e custo de capital baixo.

Essa mudança também alterou o destino do fluxo institucional. Sem perspectiva clara de afrouxamento monetário, parte do capital que antes ajudava a sustentar a tese do Bitcoin migrou para ações ligadas à inteligência artificial e a semicondutores, onde os retornos passaram a parecer mais atraentes. 

Para Marion Laboure, analista do Deutsche Bank, o movimento carrega um sinal importante: “Essa venda contínua sinaliza que os investidores tradicionais estão perdendo interesse, e que o pessimismo geral com a cripto está crescendo”. 

Na prática, a pressão agora vem menos de dentro do próprio mercado de moedas digitais e mais da decisão de grandes investidores de buscar outras narrativas.

No meio desse processo, a crise da Strategy adicionou um componente simbólico relevante. A empresa, que virou referência global na aposta corporativa em Bitcoin, passou a enfrentar questionamentos sobre seu modelo justamente quando o mercado começou a duvidar da força compradora institucional. O episódio ajudou a enfraquecer uma das teses que davam sustentação ao ciclo.

No curto prazo, o mercado segue dividido entre cautela e busca por oportunidade. Fabrício Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin, avalia que o ativo entrou em uma zona decisiva e alerta que, se não recuperar rapidamente certos níveis, a pressão pode continuar. Ao mesmo tempo, ele pondera que o estresse acumulado já cria uma assimetria mais interessante para quem olha o longo prazo. 

A leitura é semelhante à de Thielen, para quem a virada dependerá de uma combinação de inflação mais comportada, expectativas de juros mais estáveis e um sinal claro de mudança de tom por parte do Fed.

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