A recente escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã e o crescente temor de um choque na oferta de petróleo
voltaram a colocar a inflação e a trajetória da taxa Selic no centro das preocupações do mercado financeiro no Brasil. Embora cenários de estresse já estejam no radar — com o JPMorgan estimando que o barril de petróleo
possa ultrapassar a marca de US$ 100 em caso de bloqueios no Estreito de Ormuz —, o impacto efetivo na economia brasileira pode ser mais contido e menos imediato do que o precificado pelas alas mais pessimistas.
A avaliação é de Leonardo Costa, economista do ASA. Para ele, a economia nacional "tende a apresentar resiliência relativamente elevada a um choque de petróleo, com impacto agregado provavelmente moderado". O especialista aponta que a transmissão da crise internacional para o Brasil ocorreria por três canais principais: a inflação, a atividade doméstica e as contas externas.
O temor imediato do mercado recai sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No entanto, Costa argumenta que, tecnicamente, "não é adequado estabelecer um patamar específico como referência" para medir o impacto inflacionário real. Ele explica que a sensibilidade do IPCA vai muito além da simples cotação do óleo tipo Brent, dependendo do comportamento do câmbio, dos prêmios de risco e, fundamentalmente, da atual política de preços da Petrobras.
Como a estatal não segue mais de forma automática a paridade de importação (PPI), ela atua como um amortecedor. A política "tende a suavizar movimentos externos, o que reduz a transmissão imediata e integral do choque internacional para os preços na bomba", ressalta o economista.
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