| As mensagens contidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro obtidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS revelam que o dono do Banco Master mantinha contato com autoridades dos três Poderes e com grandes empresários. O material, enviado pela Polícia Federal ao Congresso e obtido pela Folha de S.Paulo, traz relatos de encontros com ministros do Supremo Tribunal Federal, líderes do Senado e da Câmara, integrantes do governo federal e do setor produtivo. As conversas abrangem o período entre 2024 e agosto de 2025, três meses antes da liquidação do Master pelo Banco Central e da primeira prisão de Vorcaro. O banqueiro se refere ao presidente do PP, o senador Ciro Nogueira, como "um dos meus grandes amigos de vida". Entre os contatos de sua agenda telefônica estavam também o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e diversos senadores, o presidente da Câmara, Hugo Motta, os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, ministros do governo Lula, além de políticos relevantes sem mandato, como o ex-governador João Doria e José Dirceu, do PT. Jornal diz que Vorcaro enviou mensagem para Moraes no dia em que foi preso. Reportagem publicada pelo jornal O Globo na noite de ontem diz que o dono do Banco Master enviou uma mensagem de WhatsApp ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em 17 de novembro de 2025, dia em que foi preso. "Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?", diz a mensagem. O banqueiro foi preso pela Polícia Federal naquela noite no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar em um voo para o exterior. Os investigadores também identificaram telefonemas entre eles e outro diálogo, em 1º de outubro de 2025 — que a PF não conseguiu obter porque as mensagens foram apagadas ou enviadas com visualização única. A assessoria de Moraes diz que ele não recebeu essas mensagens referidas: "Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal", disse. Leia mais. PF pede transferência de Vorcaro para Brasília para proteger investigação. O ministro do STF André Mendonça atendeu um pedido da Polícia Federal e determinou ontem a transferência do banqueiro para a Penitenciária Federal de Brasília. Além de alegar que é preciso preservar a integridade física do preso, a PF cita uma "potencial capacidade do investigado de mobilizar redes de influência com aptidão para, direta ou indiretamente, interferir na regular condução das investigações ou no cumprimento das determinações judiciais." Vorcaro foi preso na quarta-feira e levado inicialmente à Superintendência da PF em São Paulo. Depois foi para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos e na manhã de ontem foi novamente transferido para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo. Penitenciárias federais, como a de Brasília, têm estrutura para garantir segurança e isolamento de líderes de organizações criminosas. Flávio Dino suspende quebra de sigilo de Lulinha. O ministro do STF suspendeu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de todos os listados pela CPI mista do INSS, incluindo de Fabio Luis Lula da Silva, um dos filhos do presidente Lula. A decisão ocorre no momento em que já circulavam publicamente dados bancários de Lulinha. Documentos enviados à CPMI mostram que ele movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos. A sua defesa apresentou uma petição ao ministro sobre possíveis vazamentos das informações. O mesmo foi feito à PF e à CPI. A comissão aprovou 87 requerimentos em 26 de fevereiro e as defesas questionaram a forma definida para a votação, que foi feita em bloco. Na liminar concedida já na quarta-feira favorável à empresária Roberta Moreira Luchsinger, Dino disse que "não é cabível o afastamento de direitos constitucionais no atacado". Essa decisão se estendeu ontem a todos os outros pedidos. Entenda. Pos unanimidade, STF decide manter Bolsonaro preso na Papudinha. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal manteve ontem a decisão do ministro Alexandre de Moraes que negou prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia votaram para mantê-lo na Papudinha, em Brasília. Relator da ação penal que condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, Moraes solicitou a sessão para submeter a decisão dele aos demais colegas. Em seu voto, o ministro argumentou que a "intensa atividade política" de Bolsonaro mostra condições para cumprir pena na Papudinha. Ele disse também que a perícia médica da Polícia Federal confirmou a regularidade da sua permanência no complexo penitenciário. |
Post a Comment