A sustentabilidade das contas públicas brasileiras exigirá um freio de arrumação estrutural a partir de 2027, independentemente de quem vença a próxima eleição presidencial. Segundo o pesquisador Fabio Giambiagi, do FGV/Ibre, a fragilidade fiscal atual é herança de medidas emergenciais da pandemia que foram consolidadas politicamente, elevando a percepção de risco de um colapso orçamentário a médio prazo.
Para estancar o déficit e conter a trajetória de endividamento, o especialista defende a criação de uma "Super PEC" focada em gastos obrigatórios. Entre as medidas sugeridas está uma mudança profunda na política de valorização do salário mínimo, que atualmente impacta dois terços dos benefícios previdenciários e pressiona o resultado primário da União.
A proposta também prevê alterações ambiciosas em programas sociais e pisos constitucionais, incluindo a extinção gradual do abono salarial até 2031. Além disso, o plano sugere novos critérios para os investimentos em saúde e educação, desvinculando os repasses da receita para adequá-los ao contexto demográfico e à capacidade de arrecadação do Estado.
Projeções indicam que a adoção dessas medidas austeras poderia reduzir drasticamente o déficit público, que hoje caminha para patamares preocupantes. Ao implementar esse ajuste, o objetivo seria reverter as expectativas de financiamento da dívida e criar bases sólidas para que a economia brasileira volte a crescer de forma sustentável nos anos subsequentes.
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