Apenas 48 horas após a captura de Nicolás Maduro, a estrutura de poder em Caracas realizou uma manobra política drástica. A ex-vice-presidente Delcy Rodríguez, agora reconhecida pelo Tribunal Supremo de Justiça e pelas Forças Armadas como presidente encarregada, abandonou a retórica beligerante inicial para propor uma "agenda de cooperação" com os Estados Unidos. - O posicionamento inicial: No sábado, logo após a incursão da Force Delta, Rodríguez classificou a captura como um "sequestro covarde" e uma "atrocidade que viola o direito internacional". Em um discurso inflamado, ela recusou-se a assumir a presidência, insistindo que Maduro era o "único" líder legítimo e exigindo sua libertação imediata.
- A mudança de tom: No domingo à noite, após seu primeiro conselho de ministros, Rodríguez assinou um comunicado oficial como "presidente encargada". O novo texto, surpreendentemente conciliador, evita termos como "imperialismo" e foca em um "relacionamento respeitoso" e no "desenvolvimento compartilhado".
- Um detalhe crucial: Notavelmente, a última declaração de Rodríguez não incluiu o pedido de libertação de Maduro, focando, em vez disso, em uma "convivência comunitária duradoura" e na aspiração de viver "sem ameaças externas".
A resposta de Washington, no entanto, permanece inflexível. O presidente Donald Trump reiterou que os EUA estão "no comando" e exigiu "acesso total" ao petróleo e à infraestrutura venezuelana para "reconstruir o país". Trump alertou que, se Delcy Rodríguez não "fizer o que é certo", pagará um preço "provavelmente maior do que o de Maduro". - O Nobel da discórdia: Donald Trump descartou endossar María Corina Machado na Venezuela por ela ter aceitado o Prêmio Nobel da Paz, honraria que o presidente americano cobiça abertamente, diz o The Washington Post. O jornal cita ter ouvido duas fontes ligadas à Casa Branca que descrevem o gesto de María Corina como um "pecado supremo", sugerindo que, se ela tivesse recusado o prêmio em favor de Trump, teria garantido o apoio de Washington para assumir a presidência da Venezuela.
JULGAMENTO EM MANHATTANEnquanto o novo governo se estabiliza em Caracas, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, enfrentam hoje sua primeira audiência no Tribunal Federal de Manhattan. - Acusações: Maduro responde por conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armas pesadas. Ele se declarou inocente. Advogados de defesa disseram que Maduro tem problemas de saúde e alegaram que Cilia Flores sofreu ferimentos durante a prisão.
- Prisão: O casal está detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, unidade conhecida como "o inferno de Brooklyn". Se condenado, Maduro enfrenta uma pena que varia de 30 anos à prisão perpétua.
A "DOUTRINA DONROE" EM EXPANSÃOTrump declarou que a operação em Caracas é o pilar de sua nova "Doutrina Donroe", afirmando que "o hemisfério ocidental é nosso" e que a dominância americana na região nunca mais será questionada. EDITORIAIS • The Washington Post: Alerta que a tarefa de "gerir" a Venezuela é "estupenda" e complexa, questionando se figuras do regime como Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello realmente cooperarão com os interesses americanos. O jornal critica a marginalização de María Corina Machado, afirmando que ela detém a legitimidade popular necessária para uma transição real. • The Wall Street Journal: Adverte os EUA a não aceitarem um "Maduro 2.0", argumentando que manter os aliados do ditador no poder é um "realismo" arriscado. O conselho editorial defende que a estabilidade só virá com eleições democráticas, e não apenas com acordos petrolíferos com a cúpula chavista. • El País: Denuncia a "rapacidade sem complexos" de Washington, afirmando que a operação militar prioriza o controle do petróleo em detrimento da democracia. O editorial classifica a manutenção de Delcy Rodríguez como um pragmatismo cínico que transforma a Venezuela em um "protetorado" e ignora a soberania nacional. • The Hindu: Descreve a intervenção como uma "farsa imperialista", onde o roteiro diplomático foi substituído por bombardeios e bloqueios navais para impor a vontade de Washington. TECNOLOGIA DE GUERRA- Ucrânia e os "robôs assassinos": Longe das tensões no Caribe, o conflito na Ucrânia consolidou a transição para a autonomia letal no campo de batalha, mostra reportagem especial do The New York Times. Financiados por Eric Schmidt (ex-CEO do Google), os drones Bumblebee utilizam inteligência artificial para realizar o "pixel lock", um sistema que permite à máquina perseguir e destruir alvos de forma totalmente independente após o travamento inicial pelo piloto.
Por operarem em silêncio total de rádio, esses dispositivos são imunes aos bloqueadores eletrônicos (jammers) russos, alcançando uma taxa de acerto direto superior a 70%. A sofisticação tecnológica é tamanha que a inteligência russa apelidou os drones de "marcianos", enquanto analistas alertam que essa inovação está tornando obsoleta a infraestrutura militar convencional.
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