| |  | Maior porta-aviões dos EUA realiza missão integrada com destróieres e B-52 | Gladjimi Balisage/AFP - 13.nov.2025 |
| Um hemisfério à beira do atrito | | | | A administração Trump elevou a pressão sobre a Venezuela ao deslocar para o Caribe o porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado por destróieres e cerca de 15 mil militares — a maior concentração naval dos EUA na região em décadas. A operação, batizada Southern Spear pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, afirma buscar a remoção de "narcoterroristas do Hemisfério Ocidental". Críticos, porém, enxergam ecos da antiga "diplomacia das canhoneiras", com os EUA usando seu poder naval para intimidar adversários menores. Estratégia confusa, riscos clarosA própria administração diverge sobre o sentido da operação: segundo reportagem do The New York Times, Trump fala privadamente das reservas de petróleo venezuelanas; o secretário de Estado Marco Rubio insiste que o foco é contranarcóticos. Essa ambiguidade preocupa aliados. O incômodo aumentou após ataques unilaterais dos EUA contra lanchas rápidas em águas internacionais, que já mataram 79 ou 80 suspeitos. Isso abalou a coalizão antidrogas que sustentava a política americana há décadas: França, Canadá e Holanda se distanciaram publicamente; Paris chamou os ataques de violação do direito internacional. Para o ex-enviado de Trump à Venezuela, Elliott Abrams, o conflito entrou num ponto binário: "Ou Trump vence, ou Maduro vence". |
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| | Publicidade |  | |  | | Assinatura do acordo-quadro entre a República Democrática do Congo e o grupo rebelde armado M23 marca nova tentativa de paz | Mahmud Hams/AFP |
| Acordo tenta encerrar décadas de guerra | | O governo da República Democrática do Congo (RDC) e os rebeldes do M23 assinaram no Qatar um acordo-quadro (um acordo preliminar que define as regras e etapas das negociações, mas não é a paz final) para avançar em um cessar-fogo e em negociações de paz. O documento, firmado em Doha com mediação de Qatar, EUA e União Africana, não é o acordo final, mas estabelece oito protocolos para a fase seguinte. O M23, apoiado por Ruanda, capturou Goma e Bukavu no início do ano. O conflito se intensificou em janeiro e provocou milhares de mortes e o deslocamento de centenas de milhares de civis. O que está em jogo A região leste da RDC abriga minerais críticos como o coltan, central para a indústria global de eletrônicos. Kinshasa exige a retirada de tropas ruandesas. Kigali condiciona essa saída ao desmonte da milícia FDLR, de origem hutu e ligada ao genocídio de 1994. O M23 diz que as conversas mediadas pelo Catar tratam das "causas profundas" da guerra. |
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| Trump abre guerra jurídica contra a BBC | | A BBC vive sua crise mais profunda em décadas após Donald Trump ameaçar um processo bilionário — entre US$ 1 bilhão e US$ 5 bilhões, valores próximos à receita anual da emissora com a taxa de licença. Trump afirma que uma edição do programa Panorama de 2024 "mudou as palavras" de seu discurso de 6 de janeiro de 2021 ao juntar dois trechos que lhe dariam "significado totalmente diferente". A crise interna paralisou a reação da BBC, resultando nas renúncias do diretor-geral Tim Davie e da CEO de Notícias Deborah Turness. Analistas preveem uma disputa longa e onerosa, que pode consumir foco justo antes das discussões sobre a renovação da carta da BBC em 2028. A emissora argumenta que o programa não foi exibido nos EUA, o que reduziria o dano reputacional alegado por Trump. |
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|  | Jeffrey Epstein e Donald Trump em um evento em 1997 | Getty Images |
| "Arquivos Epstein" reabrem feridas políticas nos EUA | | O vazamento de mais de 20 mil páginas de documentos ligados a Jeffrey Epstein expõe novas conexões do financista com figuras influentes da política, da mídia e do entretenimento. A menção a nomes, frisam investigadores, não implica irregularidade. Emails que chamaram atençãoKathryn Ruemmler, ex-conselheira da Casa Branca (Obama), conversou com Epstein sobre o suborno de Trump a Stormy Daniels. A Goldman Sachs, onde hoje é diretora jurídica, diz que o diálogo é anterior à entrada dela no banco. Larry Summers, ex-secretário do Tesouro (Clinton), buscou contatos globais via Epstein, mas pediu que ele não tratasse de "qualquer coisa sobre mim com Trump" após 2016. Michael Wolff, jornalista e autor de Fire and Fury, discutiu com Epstein formas de Trump administrar questões sobre a relação entre ambos e ofereceu entrevista que poderia "acabar" com o então candidato.
Trump x Marjorie Taylor GreeneA divulgação provocou um rompimento entre Trump e a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que pediu a liberação total dos arquivos ao lado de democratas. Trump a chamou de "maluca" e "traidora". Greene afirmou ter recebido ameaças incentivadas pelo ex-presidente. Voz das vítimasA vítima Marina Lacerda criticou Trump por chamar o caso de "farsa" e pediu a divulgação dos arquivos restantes para permitir "encerramento" às sobreviventes. Em entrevista ao The Guardian, ela descreveu o poder e a influência que Jeffrey Epstein exercia sobre ela e outras vítimas. Segundo relatou, ele repetia: "Eu sou dono do governo, dos bancos, de tudo; sou eu quem manda." Ela afirmou que esse suposto poder — reforçado por ameaças veladas — mantinha as vítimas em silêncio. "Ele dizia: 'Tenha cuidado com quem você fala. Se falar demais, coisas podem acontecer'", contou. Marina Lacerda também detalhou como começou o abuso: foi recrutada aos 14 anos, em 2002, para fazer massagens. "Foi completamente diferente do que eu esperava", disse. Para ela e outras sobreviventes, a divulgação dos arquivos restantes de Epstein "trará um desfecho". |
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|  | Vista de Santiago | Marvin Recinos/AFP - 11.nov.2025 |
| Chile tem eleição presidencial mais imprevisível em décadas | | | O Chile vota neste domingo em clima de incerteza e polarização. A tendência é de giro à direita no governo que toma posse em março de 2026. O que molda a disputa-
Voto obrigatório: volta pela primeira vez desde o fim da ditadura; expectativa de participação de até 90%, com milhões de eleitores pouco politizados. Direita dividida: Jeannette Jara, candidata governista (PC/Chile), lidera com cerca de 28%. A disputa pelo segundo lugar opõe Kast, Matthei e Johannes Kaiser. Economia e burocracia: o governo Boric enfrenta 62% de desaprovação; setores produtivos reclamam da burocracia que trava investimentos. Votos nulos e brancos podem chegar a 20% na eleição parlamentar. O período que proíbe proibição de pesquisas abriu espaço para medições falsas que circulam nas redes.
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|  | | Crianças brincam nas ruas alagadas de Tel Al-Hawa após fortes chuvas, em Gaza | Hashem Zimmo/Thenews2/Folhapress |
| Gaza enfrenta agravamento da crise às vésperas do inverno | | Chuvas fortes inundaram abrigos improvisados de centenas de milhares de deslocados. A UNRWA (agência da ONU que presta serviços básicos e ajuda humanitária aos refugiados palestinos) diz que Israel viola o direito internacional ao restringir a entrada de ajuda — há suprimentos equivalentes a 6 mil caminhões retidos fora da faixa. Uma reportagem exclusiva do The Guardian revelou planos dos EUA para dividir Gaza em uma "zona verde" — sob controle militar israelense e internacional — e uma "zona vermelha", onde mais de 2 milhões de pessoas estão atualmente concentradas. A proposta levanta dúvidas sobre o compromisso de Washington com uma solução política duradoura. O Hamas retomou o controle de áreas das quais Israel se retirou e passou a regular mercados e cobrar taxas sobre importações privadas, informa reportagem da agência Reuters. EUA boicotam o G20; China avança na COP30Trump anunciou o boicote à cúpula do G20 na África do Sul, evocando alegações falsas sobre ataques a brancos, publicou o The New York Times. Durante o ano, delegados americanos bloquearam consensos que envolviam termos como "transição energética", "equidade" e "saúde universal". Na COP30, em Belém, a ausência dos EUA abriu espaço para a China, que domina as cadeias globais de energia renovável e veículos elétricos, observa a agência Reuters. Diplomatas chineses vêm conduzindo articulações para garantir avanços sem Washington. A diplomacia suíça da "barra de ouro" Após meses de pressão, a Suíça conseguiu que os EUA reduzissem tarifas de 39% para 15%. O acordo foi selado no Salão Oval com presentes a Trump — uma barra de ouro gravada com "45" e "47" e um relógio Rolex, conta o The Wall Street Journal, em reportagem intitulada "A diplomacia da barra de ouro que garantiu à Suíça um acordo comercial com Trump". Em troca da redução, empresas suíças prometeram investir US$ 200 bilhões nos EUA até 2028. CuriosasYann LeCun e a disputa pelo rumo da IAYann LeCun, cientista-chefe de IA da Meta e um dos "padrinhos da IA", tornou-se voz dissidente no Vale do Silício. Ele afirma que os modelos atuais — LLMs como Llama e ChatGPT — não levarão à inteligência de nível humano. Para ele, o futuro está nos world models, sistemas que aprendem observando o mundo, mais próximos do desenvolvimento de um animal jovem do que de um modelo treinado por previsão de texto. A reportagem é do The Wall Street Journal. LeCun considera deixar a Meta para criar uma startup dedicada a essa abordagem. |
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