A aceleração vigorosa - fruto do torque instantâneo - é um dos grandes atrativos dos carros elétricos, cuja produção atualmente é dominada por montadoras chinesas. O avanço da tecnologia nesse tipo de veículo é tanto no pais asiático que volta e meia alguma marca anuncia um novo recorde de aceleração ou de velocidade máxima. Recentemente, a GAC divulgou ter obtido o recorde mundial de drift, a manobra de derrapagens controladas, com o esportivo a baterias Hytec SSR, que chegou à velocidade de 213,523 km/h em um autódromo. O mesmo modelo, segundo a fabricante, é capaz de acelerar de zero a 100 km/h em apenas 1,9 segundo - o que faz dele um dos carros mais rápidos produzidos em série. Há pouco tempo, a BYD anunciou outro recorde com o esportivo elétrico Yangwang U9 Extreme, que atingiu 496,2 km/h, igualmente em um circuito fechado. Enquanto marcas impressionantes têm sido obtidas por elétricos em pistas de corrida, nas vias públicas, tamanha performance não tem sido desejável por autoridades locais. De fato, elas têm demonstrado preocupação com a presença de veículos tão velozes (e rápidos) em ruas, avenidas e rodovias. Recentemente, o governo local apresentou um projeto de regulamentação técnica que visa limitar a aceleração dos automóveis de passageiros. A proposta, elaborada pelo Ministério da Segurança Pública, estipula que todos os veículos novos devem sair de fábrica com um modo de condução padrão que restrinja a aceleração de zero a 100 km/h ao tempo mínimo de cinco segundos. Tal limitação não prevê uma proibição definitiva para automóveis alta performance: seria a implementação de uma camada extra de segurança no momento da ignição. Segundo o esboço do documento, ao ligar o carro, o sistema deve operar obrigatoriamente nesse modo restrito. Caso o condutor desejar utilizar a potência e o torque totais do veículo, seria necessário selecionar manualmente um modo "Sport" ou equivalente a cada nova viagem. Democratização do 'perigo' A iniciativa surge como resposta ao aumento de acidentes envolvendo carros elétricos, atribuídos frequentemente à entrega imediata de torque dos motores e à falta de preparo dos motoristas. As autoridades argumentam que há um descompasso entre a formação dos motoristas e a tecnologia disponível: a maioria das autoescolas na China utiliza veículos a combustão que levam mais de 5 segundos para atingir 100 km/h. No entanto, modelos elétricos recentes, como o Xiaomi SU7 Ultra (zero a 100 km/h em 1,98 s) e o Zeekr 001 FR (2,02 s), colocam nas mãos de condutores comuns uma potência antes restrita a pilotos profissionais. Bloqueio contra erro de pedal Para tornar a legislação mais robusta, o texto propõe, ainda, a obrigatoriedade de sistemas de "supressão de aplicação indevida do pedal" em veículos elétricos e híbridos plug-in. Assim, se o sistema detectar que o motorista pisou no acelerador de forma brusca ou profunda enquanto o carro está parado ou em baixa velocidade (confundindo-o com o freio), a potência será cortada, com alertas sonoros e visuais sendo emitidos. A medida se alinha a discussões globais de segurança, como regulamentações similares propostas pela ONU (Organização das Nações Unidas) para mitigar acidentes envolvendo idosos e condutores de carros automáticos. Maçanetas retráteisO pacote de novas regras, que está em consulta pública até janeiro de 2026, abrange também outros aspectos de segurança física. Dentre eles, o governo quer exigir que as portas dos veículos possuam mecanismos de abertura mecânica acessíveis tanto por dentro quanto por fora. É uma resposta direta a incidentes onde ocupantes ficaram presos em modelos com maçanetas retráteis após falhas elétricas ou incêndios. Além disso, em caso de colisão onde os airbags são acionados, o sistema de alta voltagem deve ser capaz de cortar a energia automaticamente para prevenir incêndios. |
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