Os carros elétricos e híbridos, inegavelmente, caíram no gosto do brasileiro. Porém o mesmo não pode ser dito quando se trata de picapes. A híbrida plug-in BYD Shark, por exemplo, foi lançada no ano passado, mas suas vendas ainda não embalaram no país. De janeiro a outubro de 2025, foram 922 unidades emplacadas, o que corresponde a meros 2,2% do volume da Toyota Hilux e 3,3% da Ford Ranger no mesmo período. Outra opção híbrida lançada recentemente - a Foton Tunland — acumulou ainda menos vendas: 291 exemplares, enquanto a JAC iEV 330P, 100% elétrica, teve só duas unidades emplacadas em 2025. Apesar da aceitação ainda baixa, em um categoria mais conservadora de clientela, a eletrificação desses veículos utilitários é uma tendência que tem tudo para se consolidar: nesta semana, a Toyota revelou a nova geração da campeã de vendas Hilux, que terá configurações híbrida e até totalmente elétrica. A Ford Ranger também já conta com uma versão eletrificada, confirmada no Brasil, enquanto a nova picape compacta que a Volkswagen vai lançar em breve no país terá opções híbrida plena e híbrida plug-in. A GWM, que acaba de lançar a Poer no Brasil, inicialmente apenas com mecânica turbodiesel, também vai oferecer variante híbrida da sua picape média. Por que picapes híbridas ainda não embalaramO principal motivo para isso é o perfil de quem compra uma picape, dominado por clientes do agronegócio. São pessoas que tendem a utilizar o veículo em funções mais exigentes e, por isso, receiam que a eletrificação possa trazer mais problemas do que soluções, com mais componentes sujeitos a quebras. Além disso, os 'picapeiros' são fiéis: ao adquirir (e gostar) de determinado modelo, esse perfil de consumidor tende a permanecer na mesma marca por muito tempo. Esse segundo aspecto vale até para picapes a combustão, como vem sendo notável no exemplo da Ranger. A picape da Ford é de nova geração e mais avançada do que a geração atual da Hilux. Mesmo assim, a própria fabricante estadunidense admite que é trabalho árduo convencer um freguês da Toyota a mudar de lado na hora de trocar seu veículo. Ranger híbridaSe trocar de marca é difícil, a eletrificação das picapes no Brasil, então, pode acontecer "dentro de casa" — principalmente através das duas líderes de mercado. A Ford se adiantou nesse sentido e já confirmou que a Ranger híbrida plug-in será produzida na Argentina e vendida no Brasil a partir de 2027. Por dentro e por fora, não há novidades estéticas. Pelo contrário: a Ranger PHEV faz questão de ser praticamente idêntica aos modelos a combustão, com os quais os clientes já estão acostumados. A grande diferença está no uso de motor 2.3 turbo a gasolina, associado ao propulsor elétrico. A marca ainda não revela potência e torque combinados, mas estima-se que serão superiores a 380 cv e 70 kgfm. O consumo é outro trunfo, podendo chegar a 30 km/l, segundo testes já feitos no exterior. Nova Hilux e mais A iniciativa da Ford, entretanto, passa longe de ser exclusiva: UOL Carros já apurou, por exemplo, que a Volkswagen, além da nova picape compacta eletrificada que vai lançar no país, também prepara a chegada de uma nova picape média eletrificada. Trata-se da nova geração da Amarok, que será construída com base na chinesa Maxus Terron 9. Lá fora, ela tem versões elétricas e a diesel. Aqui, também deverá ganhar variante híbrida sob tutela da Volks. No caso da Hilux, a Toyota não é categórica sobre a chegada ao Brasil das versões eletrificadas da nova geração de sua best-seller, mas é questão de tempo para que isso ocorra, apontam diferentes apurações. Ao apresentar, nessa semana, a nova geração global da picape, a montadora anunciou versões elétricas e até a hidrogênio. Mas segundo, a Toyota, a versão líder de vendas será a híbrida leve - a mais cotada para o mercado nacional. A eletrificação aos poucos tem vantagens como mecânica mais parecida, que facilita a manutenção. Além disso, permite custos competitivos que decidem muitas compras para uso profissional. Mais importante, porém, é o "selo Toyota" de confiabilidade, que mantém a clientela fiel da picape. Assim, a montadora espera que a oferta de uma picape híbrida por uma marca reconhecida possa ampliar a clientela e quebrar a resistência do consumidor, que ainda desconfia da combinação de caçamba e motores elétricos. |
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