| As negociações para encerrar a guerra na Ucrânia subiram no tom depois de a Casa Branca levar a Genebra um plano visto como concessão a Moscou. A COP30 fechou em Belém com o multilateralismo ainda de pé, mas sem coragem para enfrentar combustíveis fósseis. No Oriente Médio, um ataque israelense a Beirute reacendeu uma fronteira que parecia adormecida. O tabuleiro instável da paz na Ucrânia As conversas de Genebra, conduzidas por Marco Rubio, buscaram dar forma ao plano de 28 pontos do governo Trump. O que surgiu foi menos uma moldura diplomática que uma faísca: Ucrânia e aliados europeus leram o documento como rendição disfarçada. O plano dos EUA: estrutura, ultimato ou as duas coisas? O rascunho, vazado dias atrás, ecoa demandas centrais do Kremlin: Ceder território à Rússia. Reduzir o exército ucraniano a 600 mil militares. Renunciar à Otan. Aceitar uma anistia generalizada, impossível de engolir em Bucha (os sobreviventes de Bucha, onde foram descobertas valas comuns e centenas de civis foram mortos em execuções extrajudiciais e com sinais de tortura, consideram a anistia um "sinal verde" que legitimaria futuros atos de violência, ao invés de garantir a responsabilização pelos crimes de guerra de 2022, conforme reportagem da Associated Press).
O editorial do Wall Street Journal foi direto: trata-se de um ultimato travestido de acordo. A disputa de autoria: quem escreveu o quê? Republicanos dizem que Rubio lhes descreveu o plano como uma "lista de desejos russa". Ele agora nega — e insiste que é uma proposta elaborada pelos EUA, com insumos de Moscou e Kiev. Mas a trilha dos bastidores conta outra história: Kirill Dmitriev, enviado de Putin, e Steve Witkoff, representante especial de Trump, costuraram o documento. Para o deputado Michael McCaul, a "concepção" nasceu exatamente dessas conversas. A contra-oferta europeia Pegos de surpresa pelo posicionamento de Washington, europeus reagiram com uma proposta que devolve agência a Kiev e retira os pontos pró-Kremlin: Negociar fronteiras só após cessar-fogo. -
Nenhuma retirada compulsória de cidades controladas pela Ucrânia. Inclusão de uma força de paz França-Reino Unido. -
Uso de ativos russos congelados para reconstrução.
E um teto militar de 800 mil soldados — distante do "ajuste forçado" dos EUA. Em privado, líderes europeus classificaram o plano americano como perigoso por minar a soberania ucraniana e incentivar "copiadores oportunistas" em outros cenários geopolíticos. Diplomacia da gratidão No meio do impasse, Trump acusou Zelensky de demonstrar "zero gratidão". Zelensky respondeu publicamente com agradecimentos formais; nos bastidores, enfrenta a equação impossível entre aceitar termos amargos para manter apoio dos EUA ou resistir e arriscar-se ao isolamento. Rubio diz que falou com Trump — e que o presidente ficou "muito satisfeito" com o rumo das conversas. COP30 evitou o tema centralA COP30 terminou com um documento que preserva a diplomacia, mas abandona o essencial: as palavras 'combustíveis fósseis' não aparecem. A Arábia Saudita liderou a resistência; o Brasil tentou, mas se dividiu; mais de 80 países frustraram-se. Pontos do acordo: Adaptação: financiamento triplicado, mas empurrado para 2035. Transição Justa: mecanismo aprovado, porém mutilado — China e Rússia bloquearam disposições sobre "minerais críticos". EUA ausentes: sem Washington, petroestados sentiram-se mais à vontade para travar avanços. Ataque em Beirute: uma nova linha vermelha No domingo (23), Israel matou Haytham Ali Tabatabai, chefe de estado-maior do Hezbollah, em Beirute — o ataque mais profundo na capital libanesa em meses. O impacto: Pelo menos cinco mortos e 28 feridos. Tabatabai era pilar do Hezbollah na Síria e mentor dos houthis no Iêmen. Israel afirma que ele liderava o rearmamento do grupo após a guerra de 2023-24. O ataque surgiu dias após o presidente libanês sinalizar abertura para negociações indiretas com Israel. Para o Hezbollah, relata a Al Jazeera, foi uma "linha vermelha" cruzada. O risco de escalada é real. O FBI e a Swat a serviço do diretorKash Patel enfrenta críticas internas e externas por práticas descritas como, segundo reportagem do The New York Times, abuso de recursos públicos: Enviou agentes da Swat para proteger sua namorada na convenção da NRA (sigla em inglês para National Rifle Association, a Associação Nacional do Rifle, cuja convenção anual em Atlanta foi o evento onde a namorada do diretor do FBI se apresentou escoltada). Usou jatos do governo para viagens pessoais, reembolsando valores irrisórios. -
Ex-agentes falam em "uso excessivo e estranho" da estrutura tática da agência.
Patel diz que as acusações são parte de ataques "patéticos". O caso, no entanto, acende alarmes sobre politização do aparato federal. Perdão de US$ 1 Milhão Investigação do Washington Post revelou que Joseph Schwartz, condenado por fraude de US$ 38 milhões, pagou quase US$ 1 milhão em lobby para obter um perdão presidencial. Deu certo: em 14 de novembro, Trump assinou perdão "total e incondicional". Ex-funcionários falam em "justiça para quem pode pagar". Os lobistas envolvidos — Burkman e Wohl — têm longo histórico de desinformação eleitoral, segundo a reportagem. Golpista do festival de Glastonbury Apuração da BBC expôs Miles Hart, um ex-aluno de elite que vendeu 1 milhão de libras em ingressos falsos para o Glastonbury, o maior e mais tradicional festival de música da Inglaterra. VIPs inexistentes, contas abertas com identidades de amigos, viagens em jatos. Ele desapareceu, mas deixou registrado em áudio: "Eu sou uma pessoa honesta." |
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