A Rússia intensificou sua campanha aérea contra a infraestrutura da Ucrânia justamente quando o inverno se aproxima, um momento historicamente vulnerável para o país. Na sexta-feira, Kiev foi alvo de um ataque descrito por Volodymyr Zelensky como "maciço": 430 drones e 18 mísseis. Seis pessoas morreram na capital, outras duas em Chornomorsk. O objetivo do Kremlin: vencer pelo frioO foco dos bombardeios russos é destruir a rede elétrica, e, portanto, a capacidade de aquecimento urbano. Kiev já registra danos no sistema de aquecimento e teme interrupções amplas de energia e água. Num país onde o inverno está entre os mais rigorosos da Europa, atacar a infraestrutura civil é uma forma de pressão psicológica, humanitária e militar. O contra-ataque ucraniano e o preço global do petróleoA Ucrânia respondeu atingindo o porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro, interrompendo temporariamente as exportações de petróleo que representam 2% do fornecimento global. A agência Reuters confirmou que a suspensão fez o preço internacional subir mais de 2% — e mostrou como a guerra, mesmo geograficamente delimitada, provoca efeitos imediatos sobre mercados globais. O salto das bombas planadoras — e o que elas significamUma reportagem exclusiva da Reuters revelou que a Rússia pretende fabricar até 120 mil bombas planadoras em 2025. São armas de menor custo que mísseis e capazes de serem lançadas a longas distâncias — algumas versões chegam a 200 km. Isso amplia o alcance russo sobre cidades distantes da linha de frente e reduz o risco para seus pilotos, que passam a operar fora da zona de defesa aérea ucraniana. O escândalo da Energoatom: a batalha internaParalelamente ao conflito, Kiev enfrenta uma crise política profunda: autoridades revelaram um esquema de US$ 100 milhões em propinas envolvendo a estatal nuclear Energoatom. O caso envolve Tymur Mindich, ex-parceiro de negócios de Zelensky, que deixou o país antes de uma busca policial. Consequências: - Zelensky pediu a demissão dos ministros da Energia e da Justiça.
- Parceiros europeus cobraram uma reação firme, expressando preocupação com o impacto na ajuda internacional.
- Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro italiano, afirmou que novos envios de assistência "poderiam alimentar ainda mais a corrupção".
- Apesar disso, a Alemanha confirmou que ampliará a ajuda militar para 11,5 bilhões de euros em 2026 (R$ 70,7 bilhões).
O escândalo, portanto, não é apenas um problema doméstico: chega justamente quando Kiev precisa demonstrar confiabilidade a aliados cansados e pressionados por seus próprios eleitorados. O caso Epstein reaparece, e traz Trump de volta ao centro A divulgação de milhares de emails ligados ao espólio de Jeffrey Epstein recolocou o escândalo no centro da disputa política. Segundo o The Wall Street Journal, Trump aparece em mais da metade dos 2.324 tópicos analisados. - um e-mail de 2011 dizia que Trump "passou horas" com uma das vítimas;
- outro, de 2019, alegava que ele "sabia das meninas".
Trump classificou tudo como "farsa" e "fraude". Em reação, acionou o Departamento de Justiça — liderado por Pam Bondi — para investigar democratas também citados, incluindo Bill Clinton e Larry Summers. A manobra transforma a controvérsia num duelo político que envolve não apenas reputação pessoal, mas o uso institucional do Departamento de Justiça e do FBI. A economia pressiona a Casa BrancaCom apenas 30% de aprovação na gestão da inflação, o governo Trump recuou parcialmente de sua agenda tarifária. A proposta de reduzir tarifas sobre bens não produzidos nos EUA, como café e bananas, funciona como reconhecimento de que impostos de fronteira estavam elevando preços — ponto explicitado em editorial do Wall Street Journal. O governo também cogitou: - hipotecas de 50 anos, criticadas por ampliar endividamento;
- cheques de US$ 2.000 financiados por receitas tarifárias.
Embora essas medidas pareçam respostas emergenciais ao custo de vida, suas consequências fiscais e distributivas permanecem controversas. O acordo com a SuíçaOs EUA reduziram de 39% para 15% a tarifa punitiva sobre produtos suíços. Em troca, a Suíça concordou em transferir parte da produção industrial — incluindo setores como farmacêuticos, fundição de ouro e equipamentos ferroviários — para território americano. O Caribe como novo palco militarO secretário de Defesa Pete Hegseth formalizou a operação naval na região como "Operation Southern Spear". O uso do porta-aviões USS Gerald R. Ford, o mais moderno da Marinha, dá ao movimento caráter de demonstração de força. O governo afirma que os EUA estão em "conflito armado com narcoterroristas". Até agora: - foram 20 ataques contra embarcações;
- há ao menos 80 mortos.
A retórica lembra justificativas usadas na "guerra ao terror" e preocupa países da região. Nicolás Maduro, da Venezuela, pediu que Washington evite uma "guerra sem fim", citando exemplos como Afeganistão e Líbia. O porta-aviões Fujian: mudança no equilíbrio naval A China lançou oficialmente o Fujian, seu terceiro e mais avançado porta-aviões, equipado com catapultas eletromagnéticas (Emals). Esse recurso, antes exclusivo dos EUA, permite lançar: - aeronaves mais pesadas,
- drones de ataque,
- aviões com maior carga de combustível e armamentos.
Analistas americanos e taiwaneses avaliam que isso multiplica a capacidade ofensiva do navio — "dobra, triplica ou talvez quadruplica". A China busca, assim, ampliar sua projeção militar no Pacífico e impor custos mais altos a qualquer intervenção dos EUA em defesa de Taiwan. O lançamento ocorre em meio a tensões com o Japão: a primeira-ministra Sanae Takaichi sugeriu que Tóquio poderia reagir se Taipei fosse atacada, o que levou Beijing a convocar o embaixador japonês e dizer que o Japão deve "parar de brincar com fogo". A crise do ítrio: custos explosivos e dependência americana A China restringiu em abril as exportações de ítrio, elemento essencial para: - ligas metálicas de motores a jato,
- revestimentos de turbinas a gás,
- isolamento usado na fabricação de semicondutores.
Com as restrições: - o preço europeu do óxido de ítrio subiu 4.400% desde janeiro;
- os EUA, que importam 93% do ítrio justamente da China, ficaram especialmente expostos.
O chamado "frenesi por ítrio" pode se tornar um gargalo para a indústria de alta tecnologia. Espionagem por IA: um novo patamar de automação ofensivaA empresa americana Anthropic afirmou ter frustrado uma campanha de espionagem cibernética ligada ao Estado chinês que usou o modelo Claude Code para ataques conduzidos com 80% a 90% de automação. A empresa considera que este pode ter sido o primeiro ataque cibernético de grande escala executado quase inteiramente por inteligência artificial. Trata-se de um marco: operações que antes exigiam equipes de hackers podem, no limite, ser reproduzidas com modelos de linguagem — e a velocidade de replicação pode alterar a lógica dos conflitos digitais. Financiamento climático: pouco chega aos mais pobresSegundo reportagem do The Guardian, apenas um quinto do financiamento climático global destinado a transformar ou adaptar economias vulneráveis alcançou os 44 países mais pobres do mundo. Grande parte do dinheiro foi oferecida na forma de empréstimos, não doações — o que, para países já endividados, pode significar dificuldade para financiar medidas básicas de adaptação climática. A reportagem observa ainda que China, Arábia Saudita e Emirados Árabes — três grandes economias e importantes produtores de combustíveis fósseis — também receberam volumes significativos desses recursos. Lobby fóssil na COP30 A coalizão Kick Big Polluters Out identificou mais de 1.600 lobistas do setor de combustíveis fósseis com acesso às negociações da COP30 — um número maior do que a delegação de praticamente todos os países, exceto o Brasil, que sedia o evento. Para comparação, o contingente de lobistas supera o das dez nações mais vulneráveis ao clima somadas. Cisjordânia: uma colheita sob ameaçaA colheita de azeitonas na Cisjordânia ocupada — central para a economia local — vive um período de violência recorde. Segundo a ONU, a média atual é de oito ataques por dia cometidos por colonos israelenses. Os impactos são imediatos: - mais de 4 mil árvores vandalizadas,
- equipamentos roubados,
- trabalhadores impedidos de acessar terras, que correm o risco de serem confiscadas por ficarem improdutivas.
Grammy Latino: tradição em novo cicloBad Bunny foi o grande vencedor, com cinco prêmios, incluindo Álbum do Ano por Debí Tirar Más Fotos. O disco conecta ritmos afro-caribenhos tradicionais à estética pop eletrônica de hoje. A brasileira Liniker venceu diversas categorias de língua portuguesa com o álbum Caju. Performances de artistas como Rauw Alejandro reforçaram a tendência de resgatar raízes culturais como gesto artístico e político. |
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