Sempre questionamos, sempre desconfiamos, seja lá de qual lado está vindo a proposta. Sem medo de colocar o dedo na ferida. Já mostramos, por exemplo, que essa política foi elaborada pelo governo Lula sem a participação do Ministério do Meio Ambiente – uma ausência importante, dado que data centers têm um potencial impacto ambiental altíssimo.
Também não aceitamos facilmente números que parecem fantasiosos, como os tais R$ 2 trilhões que seriam arrecadados com novos empreendimentos do tipo no Brasil. Eu pedi à Fazenda e ao MDIC que mostrassem como chegaram a esse número. Recebi uma resposta que não responde nada. Insisti. Silêncio.
Não somos ingênuos de pensar que o Brasil deve se fechar para data centers. Queira ou não, a IA é uma realidade e os data centers respondem a essa demanda.
O que defendemos é que, se houver uma política de data centers, que ela seja feita com base em evidências, que tenha parâmetros, seja transparente e objeto de debates e que tenha como norte o desenvolvimento tecnológico do Brasil – com objetivo de reduzir a dependência que temos nos serviços das big techs, e não o contrário.
Nunca é repetitivo lembrar: estamos falando sobre soberania. Afinal, ao longo dos últimos anos, as big techs deram amostras suficientes de que não devemos confiar nelas como guardiãs dos nossos dados. E agora, mais do que nunca, elas estão alinhadas com a extrema direita, tendo abraçado com força o governo Trump.
Foi para estes atores que Haddad escolheu mostrar o plano nacional de data centers. Antes de apresentá-lo à sociedade brasileira, ao ecossistema digital brasileiro e ao Congresso, pediu a benção do Vale do Silício. Mais constrangedora ainda foi a resposta que ouviu: o que ele oferece não basta.
A julgar pelo que sabemos do plano, é difícil não enxergá-lo como entreguismo.
Muito se dá em troca de quê? Uma ou duas contrapartidas simbólicas? É que nesse caso, o que estamos entregando de bandeja — nossos recursos naturais e soberania — custam caro demais e não tem volta.
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