| Segunda-feira, 05/05/2025 |  | | | |
 | | Reprodução/Arte UOL |
| A armadilha do tamanho da porção em alimentos proteicos | | | Na semana passada, iniciei a trilogia de publicações sobre as estratégias usadas pela indústria para vender seus alimentos proteicos. A primeira que expliquei é destacar a palavra proteína no rótulo em produtos que, na verdade, contêm mais carboidratos e gorduras, resultando em calorias extra. Hoje vou falar de uma segunda estratégia, que é anunciar uma quantidade de proteína incompatível com o tamanho real da porção consumida. |
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| Por exemplo, uma garrafa grande de iogurte como o da Verde Campo pode destacar ter 28 g de proteínas, mas essa quantidade só será obtida se você beber todo o conteúdo. Isso até consta em letras menores no rótulo, mas não chama tanto a atenção, e pode levar o consumidor ao engano. Meio quilo de iogurte não é uma porção realista para a maioria das pessoas, pois um copo típico tem cerca de 200 g da bebida (e menos da metade do valor anunciado de proteínas). |
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| O macarrão Vegan Protein, da Mosmann, é um exemplo de produto que adota no rótulo as duas táticas que já apresentei. A palavra "proteína" ganha destaque na embalagem, mas, na prática, o principal ingrediente do produto é a farinha de arroz, o que significa que os carboidratos ainda dominam a composição: são 29 g de carboidratos em 100 g de alimento cozido, praticamente a mesma quantidade de um macarrão de trigo tradicional. Na parte da frente do rótulo vemos uma bandeira informando 20% de proteína, mas isso se refere a 100 g do macarrão cru — alguém come macarrão cru? Conforme a tabela nutricional, uma porção do alimento cozido tem 8,8% de proteínas. Embora esse valor seja maior que o do macarrão comum (8,8 g contra 3,9 g numa porção de 100 g), e a proteína de ervilha tenha qualidade superior ao glúten, em termos absolutos essa não é uma quantidade expressiva. |
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A melhor forma de traduzir os dados do rótulo para a sua realidade é considerar a quantidade real que você consome, avaliando também os ingredientes e as informações nutricionais contidas na tabela, pois as porções estampadas na frente das embalagens nem sempre refletem o consumo na prática, e podem levar a escolhas equivocadas. Dependendo do produto e do que mais ele contiver, além das proteínas, o tamanho da porção pode não fazer sentido para você e não se traduzir em benefícios concretos. Na próxima edição desta trilogia, falarei sobre outra estratégia da indústria para alavancar as vendas de alimentos proteicos: diluir a proteína em ingredientes baratos para reduzir os custos dos produtos. |
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| Eu sou Sari Fontana, química industrial de alimentos e faço avaliações didáticas para ajudar você a comer de forma mais consciente (me siga no Instagram). Como você já sabe, o Guia do Supermercado não é patrocinado por nenhuma marca. Por isso temos a liberdade de criticar, mas também de elogiar os produtos que merecem um lugar no nosso carrinho de compras. Os produtos apresentados aqui são usados como exemplo ilustrativo, mas as explicações valem para alimentos similares de outras empresas. O mais importante é mostrar para você como interpretar a tabela nutricional e a lista de ingredientes dos alimentos, para fazer boas escolhas. Lembre-se sempre de conferir o rótulo dos produtos que avaliamos, pois o fabricante pode alterar a receita a qualquer momento, adicionando ou substituindo ingredientes. |
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